CID M25.5 no atestado: o que significa, quando afasta e quando vira benefício

Resposta direta: M25.5 é o código de dor articular. Ele diz que uma articulação dói, e só. Não diz a causa, a gravidade nem o que você deixou de conseguir fazer. Por isso é um dos códigos que mais leva negativa na perícia do INSS: sozinho, ele não prova incapacidade. O afastamento e o benefício dependem do que os outros documentos mostram além do código.

O que o CID M25.5 significa

O CID é a lista internacional de códigos que o médico usa para registrar no atestado o que você tem. O grupo M25 reúne alterações das articulações, e o M25.5 é a linha da dor: joelho, ombro, quadril, tornozelo, punho. Muitas vezes o atestado traz um número a mais no final, indicando a articulação afetada.

O M25.5 costuma aparecer em duas situações:

  • No começo da investigação, quando o médico ainda não fechou o diagnóstico e registra o sintoma que levou você ao consultório;
  • No pronto-atendimento, quando a consulta é rápida e o objetivo é liberar o afastamento imediato, sem exames.

Nos dois casos o código é provisório, e chega assim à perícia.

Por que o INSS nega atestado com M25.5

A perícia avalia incapacidade: se a doença impede você de exercer o seu trabalho. O perito procura no atestado informações que o M25.5 sozinho não traz. A tabela abaixo põe lado a lado o atestado que a perícia recusa e o que ela aceita, nas três linhas que decidem o pedido:

O que o perito procuraAtestado só com o códigoAtestado que sustenta o pedido
Qual a causa da dorNada. Dor articular é sintoma, não diagnósticoExame de imagem com o achado: artrose, lesão de tendão, ruptura de menisco
Qual a gravidade e a evoluçãoNada. Não distingue uma dor de dois dias de uma de dois anosHistórico do tratamento: quanto tempo dura, o que já se tentou e o que não resolveu
O que você não consegue mais fazerNada. Não descreve limitaçãoRelatório funcional com os movimentos impedidos, lido contra a sua função no trabalho

Um atestado com M25.5 e a frase “afastar por 30 dias” chega à perícia sem prova nenhuma, e o perito conclui pela capacidade. A negativa é de documentação.

O que transforma dor em incapacidade reconhecida

Para sair do sintoma e chegar ao diagnóstico com nome e com prova, leve à perícia:

  1. Relatório médico descrevendo a limitação funcional. Não “paciente com dor no ombro”, e sim o que ele não consegue: levantar o braço acima da cabeça, carregar peso, ficar em pé por período longo, agachar. O perito quase nunca recebe isso.
  2. Exames de imagem. Ultrassom, ressonância ou raio-x que mostrem o que está causando a dor: artrose, lesão de tendão, ruptura de menisco. Aqui o CID provisório costuma virar um código específico.
  3. Histórico do tratamento. Receitas, sessões de fisioterapia, infiltrações, encaminhamento para cirurgia. Um tratamento longo e sem resultado prova a gravidade melhor que qualquer adjetivo no atestado.
  4. Descrição do seu trabalho. A mesma dor no joelho tem peso diferente para quem trabalha sentado e para quem passa o dia em pé numa linha de produção. Leve a carteira de trabalho e, se tiver, o documento da empresa que descreve a sua função.

Peça ao seu médico para atualizar o atestado com o CID definitivo depois dos exames. Os erros mais comuns na perícia estão em vídeo: 5 erros que derrubam o pedido na perícia médica do INSS.

Quando o afastamento vira benefício

Com o M25.5 ou com qualquer outro código, o trajeto é o mesmo:

  • Do 1º ao 15º dia: você entrega o atestado à empresa, que paga o salário normalmente. O INSS não entra.
  • A partir do 16º dia: você pede o auxílio por incapacidade temporária no Meu INSS e anexa todos os documentos acima. O passo a passo está em vídeo: como pedir o auxílio-doença pelo Meu INSS.
  • Na perícia: o perito decide se existe incapacidade e por quanto tempo.

A regra geral pede 12 contribuições mensais para ter direito. Se a dor articular veio de um acidente ou do próprio trabalho, essa exigência cai e o benefício sai na versão acidentária. Se a perícia reconhecer a incapacidade, o auxílio é de 91% da sua média salarial.

Existe ainda o auxílio-acidente, de 50% da média, que você recebe junto com o salário quando sobra sequela permanente depois da alta. Ele tem uma exigência a mais: a sequela precisa ter vindo de acidente ou de trauma. Desgaste que apareceu com o tempo não dá auxílio-acidente, por mais que doa.

O detalhamento de cada saída da perícia está no guia da série: tendinite aposenta? CID, tempo de afastamento e valor do benefício.

O que a Justiça vem decidindo sobre dor articular

Quando o INSS nega e o caso vai para a Justiça, o processo repete a mesma pergunta da perícia. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região julgou dois casos recentes de dor articular.

Num deles, o trabalhador tinha problema no menisco e dor articular e pedia o auxílio-acidente. A perícia do processo concluiu que a origem era degenerativa, sem ligação com acidente nem com o trabalho, e o pedido foi negado: o auxílio-acidente é para sequela de origem traumática.

No outro, o trabalhador tinha fratura de fêmur e desgaste nos dois quadris, e argumentou que os atestados e prontuários do médico dele deveriam valer mais que o laudo do perito do processo. O tribunal decidiu o contrário: o laudo pericial prevalece, salvo prova robusta em sentido contrário.

Documento particular sozinho não ganha o processo. A sua limitação precisa ficar registrada na perícia, por quem o INSS e o juiz vão ouvir.

Decisões citadas: TRF4, Apelação Cível 5001483-04.2025.4.04.7033, 10ª Turma, relator Luiz Fernando Wowk Penteado, julgada em 25/08/2026; TRF4, Apelação Cível 5000108-07.2026.4.04.7138, 6ª Turma, relator Fernando Quadros da Silva, julgada em 28/08/2026.

Perguntas frequentes

O que significa o CID M25.5 no atestado? Significa dor articular: o médico registrou que uma articulação dói, sem dizer ainda a causa. É um código de sintoma, usado no começo da investigação ou no pronto-atendimento.

O atestado do meu médico vale mais que o laudo do perito? Em regra, não. O TRF4 vem decidindo que o laudo do perito do processo prevalece, porque é o exame feito para responder ao juiz. Os documentos do seu médico servem para dar base ao perito e para sustentar um recurso quando forem robustos o bastante para contrariar o laudo.

Fui negado com M25.5. Adianta recorrer? Adianta quando você tem documento novo. Recorrer com os mesmos papéis que já foram recusados tende ao mesmo resultado. Junte o relatório funcional e os exames antes de entrar com o pedido de reconsideração ou com a ação judicial.

Resumo

  • M25.5 registra dor articular: um sintoma, sem causa, gravidade nem limitação, e por isso não sustenta benefício sozinho;
  • O benefício sai com o conjunto: relatório funcional, exames de imagem, histórico de tratamento e descrição da sua função;
  • Auxílio-acidente exige sequela vinda de acidente ou trauma; desgaste degenerativo sozinho não dá esse benefício;
  • Na Justiça, o laudo do perito costuma prevalecer sobre o atestado particular;
  • Atualize o CID com o seu médico depois dos exames, antes da perícia;
  • Os 15 primeiros dias são da empresa; o INSS entra a partir do 16º.